No dia 28 jan 2026, quarta-feira, entre as 03h00 e as 06h00 da madrugada, o território de Portugal continental foi atravessado pela depressão Kristin (depressão atmosférica e fenómeno climático). Esta depressão teve grande intensidade e gerou uma tempestade (tempestade Kristin) que provocou grande devastação em muitas zonas, principalmente nos distritos do Centro de território de Portugal. Entre as zonas mais atingidas estão os distritos de Leiria, Santarém, Coimbra, Aveiro, e outros. Os efeitos foram sobretudo derrube de postes de alta tensão da rede de distribuição elétrica (cerca de 5 mil Km de rede destruída) que provocaram corte de fornecimento de energia e de água (por falta de bombagem), derrube de árvores que provocaram cortes de vias, telhas arrancados, chaminés tombadas, estruturas destruídas. Foi o caos. Muitas unidades industriais têm as instalações destruídas / inoperativas. O que foi destruído em algumas horas vai levar anos a reconstruir.
A situação das populações em algumas zonas é crítica. Não há fornecimento de energia, embora tenha vindo a ser reposta, ainda falta a mais de 100 mil clientes. E tem havido precipitação / chuva que está a inundar os campos e as vias, bem como a inundar as casas, escolas e fábricas sem cobertura ou telhado. Isto quer dizer que a chuva está a prejudicar os trabalhos de reparação de estruturas e restabelecimento dos serviços.
Entretanto, os vários agentes da proteção civil têm trabalhado no terreno para acudir às situações de maior urgência e o governo anunciou medias para ajuda financeira às famílias e empresas industriais atingidas. O Governo fez uma estimativa preliminar de dois mil milhões de euros de prejuízos causados pela tempestade Kristin que, no dia 28jan2026, entre as 3h e as 6h, devastou extensa área geográfica do território de Portugal. E decretou o estado de calamidade entre os dias 2 e 8 de fevereiro.
Nas povoações da zona de Ourém, o panorama geral é de muitas árvores derrubadas e telhas arrancadas. Nas povoações no eixo Outeiro Bairro (Ourém) registam-se prejuízos em algumas habitações por arrancamento de telhas e queda de algumas chaminés, cujo impacto provocou danos no telhado e vigas. Houve, pelo menos um caso em que as telhas arrancadas provocaram a quebra de vidros de uma carrinha. Outros prejuízos decorrem da falta de energia, empresas industriais paralisadas, falta de comunicações e falta de pressão de água. Para minimizar perdas, sobretudo alimentos congelados, alguns recorreram a geradores de energia elétrica. (reposto o fornecimento de energia em povoações no eixo do Outeiro das Matas, N S Misericórdias, no dia 1 fev 2026, pelas 20h00). O relógio da torre da capela do Outeiro das Matas está danificado e inoperativo, parado nas 4h08, hora indicativa da passagem da tempestade (ver imagem abaixo).
Esta depressão Kristin foi precedida por outras (Ingrid, Joseph) que passaram na semana antecedente, que trouxeram chuva abundante. E já se anuncia outra depressão, Leonardo, que vem a caminho. A dimensão da tempestade Kristin foi de intensidade e extensão muito superior àquela que os serviços de meteorologia e de prevenção da proteção civil tinham previsto. Por outro lado, logo após os efeitos da tempestade, as comunicações não funcionaram e isto, combinado com as previsões falhadas prejudicou muito a coordenação de serviços e os socorros urgentes que se queriam imediatos.
Na memória de alguns, sobretudo contado pelos nossos avós, está o ciclone de 15 de fevereiro de 1941, que devastou Portugal de sul a norte. Contam que houve muitas oliveiras arrancadas e casas cujas telhas foram totalmente arrastadas. O ciclone de 1941 é considerada a maior de todas as tempestades, um dos ciclones extra-tropicais mais violentos registados em Portugal no século XX. Veio do Atlântico e varreu o país de sudoeste para nordeste, com ventos da ordem dos 150 km/h (na Serra do Pilar, Porto, há registo de rajadas até cerca de 167 km/h).
Abaixo: Outeiro, telhado Capela, 3 vistas
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